Junk meu
[Wir Caetano]
Certos hereges se afundavam na sujeira em nome da glória do Senhor. Odores encarnados de psicóticos, o exílio, a caverna lá longe. Vocês sabem. O sr. Calvino queria ser a boca de Deus, o corpo de Deus, o mundo todo entregue ao Senhor, porque é Dele o bem, o mal, o exílio, a caverna, os psicóticos e os santos. O que importa? A graça. O sr. Manoel Lobato, eu não sei. Ele escreve cotidianamente o seu “Ars Amatoria”. E a minima miserabilia. Assobiando “Bizâncio”.
Quanto a mim, não sei não. A serpente Vritra, sei lá. O sr. Mircea Eliade falou certa vez da associação entre a serpente e o intestino. No filme “Como Água para Chocolate”, um melodrama mexicano que curti quando jovem, a irmã invejosa da heroína tinha problemas intestinais. Melhor: gases. A serpente. E o mau hálito da cobra (eu, não).
Meus intestinos são imprevisíveis. O cólon sigmóide, sei lá. Meus intestinos fazem barulho em público. Nada como o uivo de sr. Ginsberg ou os barulhos do sr. Gullar. Por exemplo: um dia, em Belo Horizonte, quando a filósofa Sônia Viegas (já morta) falava de “Casanova e a Revolução”. Nesse filme, Restiff de La Brettone faz um elogio ao pau pequeno. Quanto menor o órgão, diz ele, mais eficaz o trabalho de bombeamento do sangue. Mais ou menos assim. O meu é pequeno, rapaz.
Mas os gases. Talvez eu pudesse ter feito as pazes com eles nos puteiros de Belo Horizonte. Não que os intestinos das putas tenham o burburinho bom. Ou mau. O que importa é que a vagina de certas putas, talvez por ficarem muito tempo deitadas, libera gases, como o meu cólon sigmóide. Quando elas ficam curvadas. Não é na aula de cinema, é verdade. Outra miserabilia.
Eu não sei o que os gases têm a ver com a fala, é verdade. Mas sempre que rugem, eu me lembro de meu primeiro dia de aula, no velho Grupo Escolar Santana, João Monlevade, em Minas. Eu não respondi “presente” quando a Dona Vânia chamou meu nome, e repetiu o meu nome, com a pronúncia errada, inconscientemente influenciada pela língua alemã. Então o burburinho da Dona Vânia irritada não foi o burburinho bom. A serpente. Talvez por isso eu seja gago, como o sr. Armando Freitas Filho. Eu não sei.
A metafísica rebaixada do sr. Lobato.
Acho que é por isso que escrevi “Sujeira”. Eu não sei não.Eu creio em Deus. O sr. Gianni Vattimo também.
[Wir Caetano]
Certos hereges se afundavam na sujeira em nome da glória do Senhor. Odores encarnados de psicóticos, o exílio, a caverna lá longe. Vocês sabem. O sr. Calvino queria ser a boca de Deus, o corpo de Deus, o mundo todo entregue ao Senhor, porque é Dele o bem, o mal, o exílio, a caverna, os psicóticos e os santos. O que importa? A graça. O sr. Manoel Lobato, eu não sei. Ele escreve cotidianamente o seu “Ars Amatoria”. E a minima miserabilia. Assobiando “Bizâncio”.
Quanto a mim, não sei não. A serpente Vritra, sei lá. O sr. Mircea Eliade falou certa vez da associação entre a serpente e o intestino. No filme “Como Água para Chocolate”, um melodrama mexicano que curti quando jovem, a irmã invejosa da heroína tinha problemas intestinais. Melhor: gases. A serpente. E o mau hálito da cobra (eu, não).
Meus intestinos são imprevisíveis. O cólon sigmóide, sei lá. Meus intestinos fazem barulho em público. Nada como o uivo de sr. Ginsberg ou os barulhos do sr. Gullar. Por exemplo: um dia, em Belo Horizonte, quando a filósofa Sônia Viegas (já morta) falava de “Casanova e a Revolução”. Nesse filme, Restiff de La Brettone faz um elogio ao pau pequeno. Quanto menor o órgão, diz ele, mais eficaz o trabalho de bombeamento do sangue. Mais ou menos assim. O meu é pequeno, rapaz.
Mas os gases. Talvez eu pudesse ter feito as pazes com eles nos puteiros de Belo Horizonte. Não que os intestinos das putas tenham o burburinho bom. Ou mau. O que importa é que a vagina de certas putas, talvez por ficarem muito tempo deitadas, libera gases, como o meu cólon sigmóide. Quando elas ficam curvadas. Não é na aula de cinema, é verdade. Outra miserabilia.
Eu não sei o que os gases têm a ver com a fala, é verdade. Mas sempre que rugem, eu me lembro de meu primeiro dia de aula, no velho Grupo Escolar Santana, João Monlevade, em Minas. Eu não respondi “presente” quando a Dona Vânia chamou meu nome, e repetiu o meu nome, com a pronúncia errada, inconscientemente influenciada pela língua alemã. Então o burburinho da Dona Vânia irritada não foi o burburinho bom. A serpente. Talvez por isso eu seja gago, como o sr. Armando Freitas Filho. Eu não sei.
A metafísica rebaixada do sr. Lobato.
Acho que é por isso que escrevi “Sujeira”. Eu não sei não.Eu creio em Deus. O sr. Gianni Vattimo também.


1 Comments:
fala meu!! legal o blog. vou te linkar no meu. que pe o : killingtravis.blogspot.com
bjs
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