Shoppings
[Wir Caetano]
As pessoas não gostam de latrinas. Ou melhor: de lavá-las. Os donos dos bares não gostam de latrinas. Os empregados dos donos dos bares não gostam. De lavá-las. Os fregueses vão soltar lá suas nojeiras. Os fregueses soltam nojeiras nas latrinas. Esses fregueses são homens. Por isso, esses bares de copos sujos que aspiram secretamente à limpeza não têm vasos sanitários. Ou, se têm vasos, não têm trancas nas portas. Assim, sem trancas nas portas, esses fregueses do sexo masculino ficam constrangidos de sentar nos vasos e fazer suas nojeiras. Então, fazem xixi, só, mijam lá dentro do vaso ou, às vezes, nas bordas, podem até dar uma escarrada de vez em quando, mas nada de disenterias. Os donos dos bares sujos não querem disenterias dos fregueses do sexo masculino. Os empregados dos donos dos bares não querem.
As mulheres são felizes. Não só as mães são felizes, se contorcendo com as contrações, os fetos lá dentro delas, a dor da injeção de soro. As mulheres são felizes. As latrinas dos bares dos copos sujos têm vasos sanitários para as mulheres sentarem. As mulheres fazem xixi sentadas nos vasos. E, sentadas nos vasos, podem fazer nojeiras, não nojeiras de escarros (em pé, com a cabeça pendida sobre os vasos), nojeiras de seus longos intestinos, disenterias.
Os homens não são felizes, se contorcendo com contrações, os fetos dentro deles. Os homens não têm fetos. Os homens têm fezes nos longos intestinos deles. As mulheres também têm fezes. Mas os homens não podem soltar as fezes na água suja dos vasos sanitários dos bares de copos sujos. Não há vasos. Se há vasos, não há portas. Se há portas, não há trancas. Os homens se contorcem, as fezes lá dentro deles. Então, perambulam pelas cidades, farejando bares não tão sujos, cujos donos creiam que as nojeiras das fezes cairão na água dos vasos e irão embora, e novamente os vasos estarão limpos, novamente o chão estará limpo. Se os vasos não estiverem limpos, se o chão não estiver limpo, os empregados dos donos dos bares não tão sujos (e até limpos) limparão as nojeiras dos vasos, as nojeiras do chão. Mas os homens não encontram os bares não tão sujos. Os homens entram nos shoppings à procura dos vasos e das portas com trancas. Os amigos dos homens, as mulheres dos homens estão lá longe, nos bares sujos, as bexigas descansadas e distraídas. Os homens, só eles, só eles estão sós. E ali, então, nos vasos dos desertos limpos das cidades, têm um minuto, um ligeiro minuto de alegria.
[Wir Caetano]
As pessoas não gostam de latrinas. Ou melhor: de lavá-las. Os donos dos bares não gostam de latrinas. Os empregados dos donos dos bares não gostam. De lavá-las. Os fregueses vão soltar lá suas nojeiras. Os fregueses soltam nojeiras nas latrinas. Esses fregueses são homens. Por isso, esses bares de copos sujos que aspiram secretamente à limpeza não têm vasos sanitários. Ou, se têm vasos, não têm trancas nas portas. Assim, sem trancas nas portas, esses fregueses do sexo masculino ficam constrangidos de sentar nos vasos e fazer suas nojeiras. Então, fazem xixi, só, mijam lá dentro do vaso ou, às vezes, nas bordas, podem até dar uma escarrada de vez em quando, mas nada de disenterias. Os donos dos bares sujos não querem disenterias dos fregueses do sexo masculino. Os empregados dos donos dos bares não querem.
As mulheres são felizes. Não só as mães são felizes, se contorcendo com as contrações, os fetos lá dentro delas, a dor da injeção de soro. As mulheres são felizes. As latrinas dos bares dos copos sujos têm vasos sanitários para as mulheres sentarem. As mulheres fazem xixi sentadas nos vasos. E, sentadas nos vasos, podem fazer nojeiras, não nojeiras de escarros (em pé, com a cabeça pendida sobre os vasos), nojeiras de seus longos intestinos, disenterias.
Os homens não são felizes, se contorcendo com contrações, os fetos dentro deles. Os homens não têm fetos. Os homens têm fezes nos longos intestinos deles. As mulheres também têm fezes. Mas os homens não podem soltar as fezes na água suja dos vasos sanitários dos bares de copos sujos. Não há vasos. Se há vasos, não há portas. Se há portas, não há trancas. Os homens se contorcem, as fezes lá dentro deles. Então, perambulam pelas cidades, farejando bares não tão sujos, cujos donos creiam que as nojeiras das fezes cairão na água dos vasos e irão embora, e novamente os vasos estarão limpos, novamente o chão estará limpo. Se os vasos não estiverem limpos, se o chão não estiver limpo, os empregados dos donos dos bares não tão sujos (e até limpos) limparão as nojeiras dos vasos, as nojeiras do chão. Mas os homens não encontram os bares não tão sujos. Os homens entram nos shoppings à procura dos vasos e das portas com trancas. Os amigos dos homens, as mulheres dos homens estão lá longe, nos bares sujos, as bexigas descansadas e distraídas. Os homens, só eles, só eles estão sós. E ali, então, nos vasos dos desertos limpos das cidades, têm um minuto, um ligeiro minuto de alegria.


0 Comments:
Post a Comment
<< Home